Módulo 3 e 4 - Filosofias / Músico e Professor

Tendo em consideração as filosofias da Educação Musical, de Bennett Reimer e de David Elliot, expanda o seu ponto de vista sobre estas filosofias de base, não esquecendo a sua postura face ao ensino da Educação Musical, seja ela de professor- músico ou de músico-professor.

        Todos os professores de Educação Musical (E.M.), quando entram na sala de aula, são confrontados com manuais, programas, conteúdos, avaliações e métodos, que os orientam no ensino/aprendizagem do aluno.

Ao longo da história, a disciplina de E.M. contribuiu para que vários filósofos reflectissem sobre a didáctica da mesma. Bennet Reimer e David Elliott são dois dos filósofos que abordaram e justificaram, de forma e pensamento diferentes, a E.M. como disciplina essencial no percurso escolar dos alunos.

        Reimer caracterizou a disciplina de E.M. a partir de três abordagens filosóficas: o Referencialismo, o Formalismo e o Expressionismo.

A filosofia Referencialista debruça-se sobre as referências e sentimentos específicos que encontramos na música, como, por exemplo, as noções de “Deus, Família e Pátria”. Uma obra musical pretende transmitir uma mensagem e é essa mensagem e essa emoção, que temos de interiorizar. Trata-se, não raras vezes, de uma música ao serviço do tempo, da época e do sentimento do que nos rodeia (ex. Natal, Casamento, Comemorações …).

A filosofia Formalista incide, essencialmente, no trabalhar a música com o fim de percebermos a simbologia do código musical. É uma filosofia que não privilegia o sentimento e a expressão da beleza musical, mas o seu carácter mais intelectual.

A filosofia Expressionista é uma fusão das duas filosofias anteriores, ou seja, saber interiorizar a música na sua dimensão afectiva, como também compreendê-la na dimensão das suas fontes sonoras e intelectuais. 

           Elliott não concorda com as opiniões de Reimer. Elliott considera que, primeiramente, os alunos devem praticar um instrumento e, a partir dessa prática, fazerem e compreenderem a música. Como tal, fazer música é o centro e a base de toda a E. M. Segundo este filósofo, os alunos são treinados na prática musical e esta não precisa de passar pelo conhecimento verbal da música.

          Partindo destes pressupostos filosóficos, eu, apesar de saber que não é uma tarefa fácil, considero-me um músico-professor, pelas razões a seguir citadas:

- Preocupo-me mais em transmitir experiências musicais e abrir novas janelas das mesmas.

- Considero menos a avaliação/quantificação dos alunos e mais a sua formação musical.

- Valorizo o acto de tocar e cantar e não a memorização de conceitos.

- Identifico os livros/manuais como um factor de inércia na aprendizagem, pois obrigam os alunos a um seguidismo já estruturado em detrimento da criatividade e expectativas dos mesmos.

- Programo menos e inovo e crio mais, segundo a pertinência do momento, tirando partido suplementar das situações que ocorrem na sala de aula.

- Atribuo, ao contrário do professor-músico, um valor quase sagrado à arte de executar e à crítica da mesma.

- Consigo, através do fazer música na sala de aula, chegar aos mais variados domínios da linguagem musical: silêncio, dinâmica, combinações tímbricas, história da música …

        Como conclusão, considero que as filosofias de ensino são interessantes para o desenvolvimento crítico do professor. No entanto, o essencial está na caminhada que o aluno vai fazendo ao longo da sua formação musical e no produto final da mesma. Para isto, não há um só caminho, nem só estas duas filosofias, mas é fundamental que cada professor tire rendimento das suas competências musicais e, acima de tudo, seja uma referência e um exemplo para os seus alunos.

        Apesar das minhas boas intenções e vontade, sinto que, cada vez mais, os entraves políticos e económicos impõem limites à minha missão de professor /educador, tentando afogar-me e transformar-me num burocrata da música mais que num verdadeiro professor-músico.